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Ler com carro em movimento pode causar descolamento de retina?

A retina é uma membrana com múltiplas camadas celulares localizada no interior do olho, sendo responsável pela captação da luz e por transformá-la em estímulo visual para o cérebro. Muita gente acredita que ler em movimento pode causar o descolamento da retina, mas os especialistas são categóricos em afirmar que isso não passa de um mito. A leitura no carro, ônibus ou metrô pode causar diversos desconfortos oculares, no entanto, não é capaz de provocar problemas de visão graves. Realizar essa atividade em movimento, pode causar ao leitor tonturas e enjoos, pois a retina estará recebendo muita informação de uma só vez. Basicamente ela perceberá dois estímulos diferentes durante a leitura em movimento. O primeiro, é um central, que está concentrado no texto, ou seja, na imagem em repouso. O segundo estímulo será observado pela visão periféricas, que captará a paisagem em movimento. Dessa forma, o cérebro receberá duas mensagens conflitantes que podem resultar em fadiga ocular, enjoos e tonturas”, explica a médica oftalmologista do HOPE Bárbara Oliveira. Por sua vez, o descolamento da retina pode ter diversos fatores, como idade avançada, diabetes, altos graus de miopia, cirurgia ocular preexistente, traumas oculares, tumores, entre outras causas. Existem três tipos de descolamento: o regmatogênico, que é o mais comum, sendo caracterizado por “rasgos” ou “furos” na retina provenientes de traumas ou até mesmo de forma espontânea. O tracional, mais comum em pacientes diabéticos, que acontece quando uma membrana contrai e traciona a retina. E por fim, o exsudativo ou seroso, quando ocorre um acúmulo de líquido abaixo da retina, geralmente relacionado a doenças já existentes.

Ainda segundo a médica oftalmologista Bárbara Oliveira, as queixas podem surgir de forma súbita. “Elas estão relacionadas a embaçamento visual, sensação de névoa, moscas volantes (percepção na visão de pontos escuros e móveis), flashes luminosos semelhantes aos de fotografia, além de mancha escura no campo visual”, explica. Ela ressalta ainda que os pacientes não costumam sentir dor no olho. Ao serem percebidos os sintomas, é recomendável procurar um oftalmologista o mais rápido possível. O diagnóstico do descola- mento é realizado através de um procedi- mento chamado de mapeamento de retina, que pode ser feito durante a consulta oftalmológica. Na ocasião, o paciente tem a pupila dilatada e o oftalmologista utiliza equipa- mentos e lentes especiais que permitem uma avaliação completa da retina. Nos pacientes com cataratas avançadas, a avaliação fica mais complicada, sendo necessário realizar uma ultrassonografia ocular. Após o diagnóstico, o tratamento precisa ser iniciado imediatamente. “O diagnóstico precoce é de suma importância pois a retina descolada perde a vitalidade. A partir desse momento, cada dia importa, por isso quanto mais cedo realizar o tratamento, maiores são as chances de recuperar a visão”, alerta Dra. Bárbara Oliveira. O tratamento vai depender de cada caso, considerando a gravidade, a extensão e a localização do descolamento. Entretanto, na maio- ria das vezes, os procedimentos cirúrgicos são necessários para reposicionar a retina e reestabelecer sua funcionalidade. Especialista em tratamentos de retina, a médica oftalmologista do HOPE Thayze Martins também destaca as especificações de cada caso. “Em descolamentos exsudativos, por exemplo, o tratamento da doença pode levar à completa resolução do quadro. Já nos casos de descolamento tracional e regmatogênico, geralmente há a necessidade de realizar procedimentos como fotocoagulação a laser e/ou cirurgia de vitrectomia posterior”, explica.

A médica oftalmologista Dra. Thayze Martins explica que forma mais eficaz de evitar o descolamento de retina é fazer o acompanhamento de rotina com o médico oftalmologista. Pois, através de uma boa anamnese e do mapeamento de retina, ele pode identificar alterações retinianas de forma precoce.

Qual o ambiente ideal para leitura?

Já sabemos que ler em carro, ônibus ou metrô não causa grandes prejuízos à leitura, no entanto, é preferível que essa atividade seja realizada em ambiente adequado e com boa iluminação. Assim, para diminuir o ofuscamento, a iluminação do ambiente deve preferencialmente estar posicionada de forma indireta. Ambientes escuros que causam sombra durante a leitura podem provocar fadiga ocular. Essa fadiga pode estar relacionada a lacrimejamento, dores de cabeça, ou mesmo embaça- mento visual. Além disso, nossos olhos devem estar afastados cerca de 33 cm do livro ou da tela. Atualmente, os leitores digitais, como o Kindle ou o Kobo, possuem a tecnologia mais avançada para quem prefere ler em telas, evitando a fadiga ocular.

 

*Matéria publicada na Revista Ponto de Vista do HOPE, ed.04.

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