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Lacrimejamento pode ser sintoma de olho seco?

É comum se perguntar como o olho pode ser seco, se está sempre lacrimejando. A Dra. Carolina Guimarães, médica oftalmologista do HOPE, explica que isso acontece porque o ressecamento da superfície do olho estimula o cérebro a produzir uma onda de lágrima reflexa para tentar reverter esse quadro. “Entretanto, essa lágrima reflexa é inadequada e não possui qualidade suficiente para corrigir o problema”, alerta a médica.

O Dr. Bernardo Cavalcanti, também médico oftalmologista do HOPE, reforça a afirmação e destaca que o olho seco pode ter diversas causas, dentre elas, a produção de uma lágrima de baixa qualidade. Sem os componentes adequados lipídicos, aquoso e de mucina, essa lágrima pode fazer com que a evaporação do filme lacrimal seja maior e, consequentemente, haja estímulo nervoso para Lacrimejamento pode ser sintoma de olho seco?41 produção e liberação maior de lágrimas. “A lágrima de baixa qualidade, nesses casos, não é suficiente para manter a superfície ocular hidratada e protegida. Na maioria das vezes, esses pacientes apresentam um piscar mais frequente e toleram menos a exposição ao vento, ar-condicionado e telas luminosas”, afirma o Dr. Bernardo Cavalcanti.

Estima-se que 7 a 33% da população em geral podem ter olho seco. Isso quer dizer que milhões de brasileiros apresentam essa condição, e essa frequência tende a aumentar com a idade. Aproximadamente 70% dos pacientes idosos apresentarão sintomas do quadro. O olho seco é uma doença multifatorial, ou seja, existem várias causas. Além do lacrimejamento, apresenta sintomas como sensação de corpo estranho, coceira, queimação, secreção, olho vermelho, aumento da frequência do piscar, maior sensibilidade à luz e, em casos mais avançados, embaçamento da visão. Os sintomas podem ser esporádicos ou persistentes, dependendo da gravidade.

Os fatores que desencadeiam a síndrome do olho seco são diversos e complexos. “Entre as causas, podemos citar a blefarite, que é a inflamação da margem da pálpebra; cirurgias oculares como catarata e cirurgia refrativa; diminuição do piscar, geralmente associada ao uso de telas luminosas; uso de lentes de contato, menopausa, gravidez, uso de algumas medicações, doenças de tireoide, síndrome de Sjogren, lúpus, artrite reumatoide, entre outras doenças”, esclarece Dra. Carolina Guimarães. Em relação aos grupos de risco, o Dr. Bernardo Cavalcanti destaca que os estudos são controversos, apontam uma tendência para o sexo feminino. “As pessoas de mais ida- de, principalmente acima de 60 anos, apresentam uma frequência maior. Pacientes com doenças sistêmicas como as reumatológicas ou autoimunes, diabetes e até alterações hormonais podem ser mais propensos ao aparecimento da Síndrome de Olho Seco”, afirma o médico.

De maneira geral, as causas mais frequentes do olho seco estão relacionadas às situações que exigem concentração e consequentemente fazem com que a pessoa pisque menos, como dirigir por muito tempo ou uso prolongado de computador e outras telas luminosas como celular, TV e tablet. Os sintomas podem piorar em ambientes com muito vento, poeira, fumaça, baixa umidade, ar-condicionado ou aviões. A Dra. Carolina Guimarães lembra que a maioria dos pacientes com olho seco apresentam quadros leves, bem controlados com medi- cação, porém alguns fatores são responsáveis por desencadear crises. “A melhor forma de prevenir é identificar os gatilhos que aumentam os sintomas e evitá-los, além de manter o tratamento basal com higiene dos cílios e colírios lubrificantes constantemente e, assim, deixar a superfície do olho o mais saudável possível”, orienta. Ainda em relação à prevenção, o Dr. Bernardo Cavalcanti ressalta a importância de uma alimentação balanceada. “Uma boa alimentação rica em Ômega 3 pode favorecer uma melhor lubrificação dos olhos”, afirma. Ele também reforça a adesão de alguns hábitos. “No dia a dia, é fundamental ajustar a iluminação das telas, realizar pausas ao usar computador, e usar umidificador em locais com ar-condicionado.”

Em casos mais graves, a qualidade de vida dos pacientes pode diminuir bastante, atrapalhando as atividades diárias. “O olho seco, quando em estágios moderados e se- veros, pode provocar alterações na conjuntiva (vermelhidão e atrofia) e principalmente alterações na córnea, podendo provocar erosões, opacidades que podem limitar a visão”, alerta o Dr. Bernardo Cavalcanti. “Além do controle dos fatores ambientais e de evitar as situações de risco, a doença pode ser tratada utilizando-se compressa morna e higienizando as margens palpebrais para diminuir a oleosidade dos cílios”, orienta a Dra. Carolina Guimarães.

“No dia a dia, é fundamental ajustar a iluminação das telas, realizar pausas ao usar computador, e usar umidificador em locais com ar[1]condicionado”, Diz o Dr. Bernardo Cavalcanti.

Tratamento

São diversas as opções de tratamento para olho seco que devem ser consideradas a partir da gravidade de cada caso. Reposição de ômega 3, lágrimas artificias, medicações anti-inflamatórias, principalmente corticoides, estão entre as indicações de tratamento. “Para evitar o uso crônico de corticoides, que pode alterar a pressão ocular, alternativas são a Ciclosporina e o Tacrolimus, que são medicamentos imunossupressores locais. Os quadros iniciais podem ser tratados com lubrificantes, devendo ser preferidos os mais modernos pois possuem conservantes inertes ou até sem conservantes”, explica o Dr. Bernardo Cavalcanti.

Entre as opções de tratamento também, está a utilização de luz pulsada na margem da pálpebra com o objetivo de diminuir os vasos que levam células inflamatórias para a superfície do olho. De acordo com Dra. Carolina Guimarães, em alguns casos, os médicos realizam cirurgia como a oclusão do ponto lacrimal. Nos mais avançados, segundo o Dr. Bernardo Cavalcanti, pode ser realizado transplante de glândula salivar. “Entre as alternativas de trata- mento, no HOPE, utilizamos um equipamento moderno de termoterapia pulsátil, LIPIFLOW, que provoca o aquecimento e compressão das glândulas de Meibomius, favorecendo um filme lacrimal lipídico e melhorando a qualidade de vida com menor uso de medicação e maior conforto ocular”, explica o oftalmologista. Os médicos ressaltam que o tratamento vai de- pender da gravidade do quadro e da resposta às medicações, devendo sempre ser acompanhado pelo oftalmologista.

*Matéria publicada na Revista Ponto de Vista do HOPE, ed.04.

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